A Segurança do Trabalho possui uma linguagem própria. Quem atua na indústria, na construção civil, na manutenção de máquinas ou em outras atividades profissionais convive diariamente com siglas, normas e termos técnicos. Pensando nisso, reunimos neste Glossário da Segurança do Trabalho os principais termos utilizados na área. Este conteúdo funciona como um guia de consulta rápida para facilitar a compreensão dos conceitos mais presentes na rotina industrial.
Muitas dúvidas surgem durante inspeções, auditorias e projetos. Afinal, qual é a diferença entre perigo e risco? O que significa EPC? Quando a NR-12 se aplica? Qual é a função de um relé de segurança?
Conhecer esses conceitos melhora a comunicação entre gestores, engenheiros, técnicos e operadores. Além disso, contribui para decisões mais seguras, facilita a interpretação da legislação e fortalece a prevenção de acidentes.
Importante: Este glossário apresenta definições resumidas para facilitar a compreensão dos principais conceitos de Segurança e Saúde no Trabalho. Para projetos, adequações e decisões técnicas, consulte sempre as Normas Regulamentadoras e as normas técnicas aplicáveis.

Termos fundamentais da Segurança do Trabalho
Alguns conceitos aparecem em praticamente todas as normas regulamentadoras e documentos técnicos. Entender esses termos representa o primeiro passo para construir uma cultura de prevenção.
Acidente de Trabalho
O acidente de trabalho ocorre quando um trabalhador sofre uma lesão, doença ou outro dano durante o exercício de suas atividades profissionais ou em razão delas.
Além dos impactos para a saúde do colaborador, um acidente pode gerar afastamentos, perda de produtividade, custos elevados e responsabilidades legais para a empresa.
Por isso, toda estratégia de Segurança do Trabalho busca reduzir ao máximo a ocorrência desses eventos.
Perigo
Perigo é uma fonte, situação ou condição com potencial para causar lesões, agravos à saúde, danos materiais ou impactos ao meio ambiente.
Uma máquina com partes móveis expostas, uma instalação elétrica energizada ou um produto inflamável representam exemplos de perigo.
Identificar os perigos constitui o primeiro passo para avaliar os riscos e definir medidas de prevenção.
Risco
Embora muitas pessoas utilizem esses termos como sinônimos, perigo e risco possuem significados diferentes.
O risco corresponde à combinação entre a probabilidade de ocorrência de um dano e a gravidade das consequências desse dano.
Em outras palavras, o perigo representa a fonte potencial de lesão. Já o risco depende da exposição das pessoas a esse perigo e das condições em que essa exposição ocorre.
Apreciação de Riscos
A Apreciação de Riscos é um processo sistemático utilizado para identificar perigos, analisar e avaliar os riscos associados a uma máquina durante todas as fases previsíveis do seu ciclo de vida.
Esse processo considera fatores como utilização prevista, ajustes, limpeza, manutenção, intervenções, desmontagem e até situações de uso inadequado razoavelmente previsível.
Com base nessa avaliação, a empresa define as medidas necessárias para reduzir os riscos e atender aos requisitos da NR-12 e das normas técnicas aplicáveis.
Incidente
Incidente é uma ocorrência relacionada ao trabalho que pode resultar ou não em lesão, doença, dano material ou outra consequência indesejada.
Quando o evento não provoca lesões ou danos, mas possui potencial para causá-los, muitas organizações utilizam o termo quase acidente.
Independentemente da classificação adotada, toda empresa deve investigar incidentes para identificar suas causas e evitar novas ocorrências.
Siglas mais utilizadas na Segurança do Trabalho
A Segurança do Trabalho utiliza diversas siglas no dia a dia. Conhecer as principais facilita a interpretação de normas, laudos e projetos.
NR – Norma Regulamentadora
As Normas Regulamentadoras (NRs) estabelecem requisitos mínimos para garantir ambientes de trabalho mais seguros.
Cada norma trata de um assunto específico.
A NR-10, por exemplo, aborda a segurança em instalações elétricas. Já a NR-12 estabelece requisitos para máquinas e equipamentos.
EPI – Equipamento de Proteção Individual
O EPI protege o trabalhador contra riscos que não podem ser eliminados por outras medidas.
Capacetes, luvas, óculos de segurança, calçados de proteção e cintos para trabalho em altura são alguns exemplos.
No entanto, o EPI não substitui medidas de engenharia. Ele funciona como uma camada adicional de proteção.
EPC – Equipamento de Proteção Coletiva
Enquanto o EPI protege uma pessoa, o EPC protege todos os trabalhadores presentes no ambiente.
Grades de proteção, guarda-corpos, enclausuramentos, sistemas de exaustão e barreiras físicas são exemplos de EPC.
Sempre que possível, a empresa deve priorizar medidas coletivas antes da utilização de equipamentos individuais.
DDS – Diálogo Diário de Segurança
O DDS consiste em uma conversa rápida realizada antes do início das atividades.
Durante esse momento, equipes discutem riscos, procedimentos seguros, uso correto de EPIs e situações observadas na rotina.
Além de reforçar orientações, o DDS fortalece a cultura de prevenção.
CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho
A CAT é o documento utilizado para comunicar acidentes de trabalho, acidentes de trajeto e doenças ocupacionais, conforme previsto na legislação previdenciária.
Além de cumprir uma obrigação legal, a CAT contribui para o registro formal das ocorrências, protege direitos previdenciários do trabalhador e auxilia na investigação das causas e na definição de medidas preventivas.
CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio
A CIPA promove ações voltadas à prevenção de acidentes, doenças relacionadas ao trabalho e situações de assédio no ambiente profissional.
Além disso, a comissão incentiva a participação dos trabalhadores nas ações de Segurança e Saúde no Trabalho e fortalece a cultura de prevenção dentro das organizações.
PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos
O Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) é um conjunto de medidas e componentes destinado a reduzir os riscos associados às descargas atmosféricas.
O sistema envolve captação, condução e aterramento da descarga elétrica e, quando necessário, atua em conjunto com dispositivos de proteção contra surtos (DPS).
Seu projeto deve seguir os requisitos da ABNT NBR 5419.
SPDA – Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas
O SPDA, conhecido popularmente como para-raios, protege edificações contra os efeitos das descargas atmosféricas.
Sua função consiste em captar o raio e conduzir sua corrente elétrica até o solo por um caminho seguro.
Entretanto, o SPDA deve atuar em conjunto com aterramento elétrico, dispositivos de proteção contra surtos (DPS) e inspeções periódicas.
DPS – Dispositivo de Proteção contra Surtos
O Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) limita sobretensões transitórias e protege instalações e equipamentos contra surtos elétricos quando corretamente especificado e instalado.
O DPS não substitui o aterramento, o disjuntor ou outros dispositivos de proteção. Ele atua como parte de um sistema de proteção elétrica.
Termos relacionados às máquinas e à NR-12
A NR-12 reúne diversos conceitos técnicos que orientam a adequação de máquinas e equipamentos. Esses termos aparecem com frequência em projetos, laudos, apreciações de riscos e fiscalizações. Por isso, conhecer seu significado facilita a tomada de decisões e contribui para uma adequação mais eficiente.
NR-12
A NR-12 é a Norma Regulamentadora que estabelece referências técnicas, princípios e medidas de proteção para garantir a segurança no trabalho com máquinas e equipamentos.
Ela define requisitos para projeto, fabricação, instalação, operação, manutenção e adequação de máquinas, sempre com o objetivo de reduzir acidentes e proteger os trabalhadores.
Além disso, a NR-12 se aplica a máquinas novas e, em muitos casos, também às máquinas já existentes em operação.
Veja também: Perguntas mais frequentes sobre a NR-12 • Os 5 erros mais comuns na adequação de máquinas.
Zona de perigo
A zona de perigo corresponde a qualquer espaço dentro ou ao redor da máquina onde uma pessoa possa ficar exposta a um perigo.
Essa exposição pode ocorrer por contato com partes móveis, projeção de materiais, esmagamento, corte, arraste, calor, energia elétrica ou outros riscos previstos durante a apreciação de riscos.
Relé de segurança
O relé de segurança é um dispositivo responsável pelo processamento das funções de segurança da máquina.
Ele monitora componentes como botões de parada de emergência, chaves de segurança, cortinas de luz e comandos bimanuais.
Quando identifica uma condição insegura ou uma falha relevante, o relé comanda a máquina para uma condição segura por meio de contatores, válvulas ou outros elementos finais de acionamento.
Intertravamento
O intertravamento é uma função de segurança que impede ou interrompe funções perigosas da máquina quando uma proteção é aberta, removida ou deixa de atender às condições previstas no projeto.
Dependendo da apreciação de riscos, o sistema pode exigir apenas o intertravamento ou intertravamento associado ao bloqueio, principalmente quando existe inércia ou risco de acesso antes da parada completa da máquina.
Cortina de luz
A cortina de luz é um dispositivo eletrossensível de proteção utilizado para detectar a entrada de uma pessoa ou parte do corpo em uma zona protegida.
Sua aplicação depende da apreciação de riscos, do tempo de parada da máquina e da distância de segurança entre a cortina e o ponto de perigo.
Por isso, a cortina de luz complementa o sistema de segurança, mas não substitui automaticamente outras medidas de proteção previstas no projeto.
Botão de emergência
O botão de parada de emergência permite iniciar rapidamente uma função de parada quando ocorre uma situação de risco.
Esse dispositivo possui atuador vermelho, normalmente do tipo cogumelo, instalado sobre fundo amarelo e deve permanecer acionado até o rearme manual.
Além disso, a parada de emergência deve atuar com prioridade sobre os demais comandos e conduzir a máquina para uma condição segura conforme as características do equipamento.
Chave de segurança
A chave de segurança monitora portas, grades e tampas de proteção.
Quando o operador abre uma dessas proteções, a chave envia um sinal para o sistema de segurança, que impede a operação da máquina ou provoca sua parada.
Esse dispositivo reduz significativamente o risco de acesso às áreas perigosas durante o funcionamento do equipamento.
Performance Level (PL)
O Performance Level (PL) representa a capacidade de uma função de segurança desempenhar sua finalidade sob condições previsíveis de operação.
A ABNT NBR ISO 13849-1 classifica esse desempenho em cinco níveis: PL a, PL b, PL c, PL d e PL e, sendo PL e o maior nível de desempenho previsto pela norma.
O PL não representa a segurança global da máquina. Ele avalia apenas o desempenho de uma função específica de segurança.
Categoria de segurança
A categoria de segurança descreve a arquitetura e o comportamento do sistema de comando relacionado à segurança diante da ocorrência de falhas.
Conforme a ABNT NBR ISO 13849-1, as categorias são B, 1, 2, 3 e 4.
A definição da categoria e do Performance Level requerido deve resultar da apreciação de riscos e das características de cada função de segurança.
Painel NR-12
O Painel NR-12 integra os dispositivos responsáveis pelo comando e pela segurança da máquina.
Ele pode reunir contatores, relés de segurança, inversores, botões de emergência, chaves de segurança, interfaces de comando e outros componentes.
Quando projetado corretamente, o painel atende aos requisitos da NR-12, facilita a manutenção e aumenta a confiabilidade do sistema de segurança.
Veja também: Como escolher um Painel NR-12 • Painéis NR-12 para locadores
Termos relacionados à segurança em instalações elétricas
A eletricidade está presente em praticamente todas as atividades industriais. Máquinas, painéis elétricos, sistemas de automação e equipamentos eletrônicos dependem de instalações seguras para operar corretamente.
Por isso, a Segurança do Trabalho também envolve conceitos específicos da área elétrica. Conhecer esses termos ajuda a prevenir acidentes, proteger trabalhadores e garantir conformidade com as normas técnicas.
NR-10
A NR-10 estabelece os requisitos e as condições mínimas para garantir a segurança dos profissionais que trabalham com instalações e serviços em eletricidade.
A norma aborda desde o projeto das instalações até sua operação, manutenção e inspeção. Além disso, exige capacitação dos trabalhadores, adoção de procedimentos seguros e utilização de medidas de proteção coletiva e individual.
Cumprir a NR-10 reduz acidentes, aumenta a confiabilidade das instalações e fortalece a cultura de prevenção.
Veja também: EPIs para eletricista: veja a importância e saiba quais utilizar.
Aterramento elétrico
O aterramento elétrico cria um caminho seguro para conduzir correntes elétricas indesejadas até o solo.
Esse sistema protege pessoas contra choques elétricos, melhora o funcionamento dos equipamentos e complementa outros sistemas de segurança, como o SPDA e os dispositivos de proteção contra surtos.
Além disso, um aterramento eficiente reduz diferenças de potencial e aumenta a confiabilidade das instalações elétricas.
SPDA
O Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) protege edificações contra os efeitos provocados pelos raios.
Sua função consiste em captar a descarga atmosférica e conduzir sua corrente elétrica até o solo por meio de um caminho controlado.
No entanto, o SPDA não atua sozinho. Para garantir uma proteção eficiente, ele deve trabalhar em conjunto com o aterramento elétrico e os dispositivos de proteção contra surtos.
DPS
O Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS) protege equipamentos elétricos e eletrônicos contra sobretensões causadas por descargas atmosféricas ou manobras na rede elétrica.
Quando identifica um surto, o DPS desvia a corrente excedente antes que ela alcance painéis elétricos, máquinas industriais, computadores e sistemas de automação.
Por isso, o DPS representa um componente indispensável para aumentar a vida útil dos equipamentos e reduzir prejuízos.
Choque elétrico
O choque elétrico ocorre quando a corrente elétrica atravessa o corpo humano.
Dependendo da intensidade da corrente, do tempo de exposição e do percurso pelo organismo, o choque pode provocar queimaduras, contrações musculares, parada cardíaca e até a morte.
Por isso, a empresa deve adotar medidas de engenharia, utilizar equipamentos adequados e seguir rigorosamente os procedimentos previstos pela NR-10.
Arco elétrico
O arco elétrico consiste na passagem de corrente elétrica pelo ar entre dois pontos com diferença de potencial.
Esse fenômeno libera temperaturas extremamente elevadas, intensa luminosidade e ondas de pressão capazes de provocar queimaduras graves e danos aos equipamentos.
Além disso, o arco elétrico representa um dos maiores riscos durante atividades em painéis elétricos energizados.
Equipotencialização
A equipotencialização conecta elementos metálicos de uma instalação ao mesmo potencial elétrico.
Essa medida reduz diferenças de tensão entre estruturas, diminui o risco de choques elétricos e melhora o desempenho dos sistemas de aterramento.
Por isso, ela desempenha um papel importante tanto na segurança das pessoas quanto na proteção dos equipamentos.
Bloqueio e Etiquetagem (LOTO)
O LOTO (Lockout/Tagout) é um procedimento utilizado para controlar energias perigosas durante atividades de manutenção, limpeza, inspeção, regulagem e outras intervenções.
Além do desligamento da máquina, o procedimento pode incluir isolamento, bloqueio, etiquetagem, dissipação de energia residual e verificação da ausência de energia antes da liberação dos trabalhos.
Esse processo pode envolver diferentes fontes de energia, como elétrica, pneumática, hidráulica, mecânica, térmica e gravitacional.
Veja também: Os 5 erros mais comuns na adequação de máquinas
Por que conhecer os termos da Segurança do Trabalho?
Conhecer a terminologia da Segurança do Trabalho vai muito além de aprender definições técnicas. Esse conhecimento facilita a comunicação entre equipes, melhora a tomada de decisões e fortalece a cultura de prevenção dentro das empresas.
Quando gestores, engenheiros, técnicos e operadores utilizam a mesma linguagem, projetos se tornam mais claros, treinamentos ganham eficiência e procedimentos reduzem a possibilidade de erros.
Além disso, compreender termos como NR-12, EPI, EPC, SPDA, Apreciação de Riscos, LOTO e Análise de Risco ajuda empresas a interpretar corretamente a legislação e aplicar medidas preventivas de forma mais eficaz.
Por isso, manter um glossário atualizado representa uma ferramenta valiosa para consultas rápidas, treinamentos e auditorias.
A Segurança do Trabalho evolui constantemente. Novas tecnologias, revisões das normas e mudanças nos processos industriais exigem atualização contínua de todos os profissionais envolvidos.
Por isso, compreender os principais termos da área representa um diferencial para empresas que desejam reduzir acidentes, aumentar a produtividade e manter conformidade com a legislação.
Esperamos que este Glossário da Segurança do Trabalho sirva como um material de consulta para gestores, engenheiros, técnicos, estudantes e profissionais da indústria. Sempre que surgir uma dúvida sobre um conceito, uma sigla ou uma norma, utilize este conteúdo como ponto de partida.
Afinal, conhecimento também é uma forma de prevenção. Quanto maior a compreensão sobre os conceitos da Segurança do Trabalho, mais seguras, eficientes e preparadas se tornam as empresas.








